01 — O que está mesmo no código
A fatura toda, campo a campo
O QR do Despacho n.º 8632/2022 não é um endereço: é texto com campos fixos.
A o NIF de quem emite, B o do cliente, F a
data, G o número do documento, H o ATCUD, os blocos
I/J/K as bases e o IVA por escalão, e
O o total.
É legalmente obrigatório em todas as faturas desde 2022, o que torna este o único dado estruturado que existe de facto em todas elas. Daí ser lido daqui e não adivinhado do desenho da página — cada emissor faz o layout à sua maneira, mas o código é igual em todos.
02 — Um número que o código não traz
A taxa de IVA é calculada, não copiada
O código diz o escalão — reduzido, intermédio, normal — mas nunca a percentagem. E o mesmo escalão é 23% no continente, 22% na Madeira e 16% nos Açores, valores que ainda mudam com cada Orçamento.
Por isso a taxa sai da própria fatura: IVA a dividir pela base. O resultado
só é escrito se cair em cima de um escalão em vigor; se não cair, a coluna fica
?%. Preencher com uma tabela fixa seria dar como «o que está na
fatura» aquilo que era apenas o que a tabela dizia — e ficaria errado no dia
seguinte a uma alteração, com todos os números na mesma a parecerem certos.
ATCUD numa coluna só dele
O ATCUD identifica o documento perante a AT e é por ele que se confere, não pelo número interno da fatura. Fica numa coluna própria, ao lado do número — juntar os dois é perder o que serve para conferir.
O dígito de controlo do NIF também é recalculado (pesos 9…2, módulo 11). Um dígito trocado não dá erro em lado nenhum: a fatura simplesmente não aparece na conta de quem a devia ter.
O 999999990 não é um cliente
Nas faturas a consumidor final o campo do NIF do cliente leva
999999990. Copiado tal e qual, o mapa acaba com dezenas de linhas do
«mesmo» cliente — e a deteção de duplicados passa a emparelhar faturas que nada têm a
ver umas com as outras. Aqui fica vazio, que é o que ele quer dizer.
Notas de crédito (NC) trazem valores positivos; só o tipo diz que
o dinheiro volta para trás. No total do fim são subtraídas.
A coluna que fica vazia
O código traz o NIF de quem emite, nunca o nome — por isso a coluna do fornecedor fica em branco nestas linhas. O nome está impresso na página, mas tirá-lo de texto corrido obriga a decidir que linha é a empresa e que linha é a morada, e a errar de vez em quando. Uma célula vazia que se preenche vale mais do que um nome plausível que é de outra empresa.
O NIF fica na linha, portanto uma procura ou um substituir de uma só vez preenche a coluna em segundos — e continua certa.
O que não se faz aqui
O SAF-T (PT) não é lido: é a exportação de toda a contabilidade do mês, outro problema e outro formato. As faturas para o Estado que seguem em Peppol CIUS-PT são lidas como qualquer UBL europeu — essas são XML.
Uma fatura digitalizada ou fotografada sem camada de texto também não: se o QR estiver legível, é usado; caso contrário a linha fica vazia e assinalada, nunca adivinhada.
Experimentar
Arraste ficheiros para a página principal — até 10 faturas por exportação e 20 por dia, grátis, sem conta, e a contagem reinicia à meia-noite. O Pro levanta os dois limites por 29 € uma única vez, sem renovação.
Nada é enviado
Os ficheiros são lidos dentro do browser. Não há servidor para onde pudessem ir, e confirma-se em dois minutos: abra as ferramentas de programador, o separador Network, e arraste uma fatura — não sai um único pedido. Ou carregue a página, desligue a rede e arraste à mesma. Continua a funcionar. Que países são lidos.